Quando uma democracia termina e uma teocracia começa? Essa questão inspira o novo documentário de Petra Costa, Apocalipse nos Trópicos, que começa retratando a presença de líderes evangélicos na política e recua no tempo para investigar as transformações mais profundas na religiosidade do brasileiro. Com acesso exclusivo a Lula e Bolsonaro, o documentário acompanha por quatro anos Silas Malafaia, pastor televangelista que prega para milhões enquanto sussurra no ouvido do ex-presidente. Petra retrata um país onde a fé deixou de ser um refúgio privado para se tornar um campo de batalha a céu aberto. Como em Democracia em Vertigem, indicado ao Oscar, ela mistura com curiosidade de ensaísta o presente e o passado, mergulhos históricos e registros a quente, mais preocupada em entender do que em julgar sua terra em transe. O filme retrata como o governo usou a religião no enfrentamento da pandemia e revela a motivação espiritual e apocalíptica presente no 8 de janeiro. Apocalipse nos Trópicos mostra a fisionomia de um país na encruzilhada entre a fé e política e ilumina uma história que ainda não terminou.





